3 de jul de 2015

DIRETO AO PONTO


Aqui entre Nós, com Augusto Nunes e Sílvio Navarro: A pior presidente da história bate o recorde mundial de impopularidade.


OPINIÃO

J. R. Guzzo: O Fogo de Curitiba.

J.R. GUZZO: O FOGO DE CURITIBA.
Publicado na edição impressa de VEJA
J. R. GUZZO
O líder político mais poderoso do Brasil do século XXI, capaz de ganhar quatro eleições presidenciais em seguida e de se dar muitíssimo bem em praticamente tudo o que quis nos últimos anos, entrou de uma vez por todas num mato fechado. Vai sair, como sempre conseguiu até hoje? Há muito tempo o ex-presidente Lula acostumou-se a saborear o que já foi definido como uma das melhores sensações que um ser humano pode ter: a de atirarem nele e errarem o alvo. Com base no retrospecto, ele espera que sua vida continue assim — mas vivemos um momento em que estão acontecendo coisas que nunca aconteceram antes, e em que se confirma a velha máxima segundo a qual algo só é impossível até tornar-se possível.
O último exemplo a respeito é o terremoto causado pela prisão do empresário Marcelo Odebrecht, presidente da maior empreiteira de obras públicas do Brasil e empresa-símbolo das relações íntimas de Lula com os colossos do capitalismo nacional que recebem bilhões de reais em encomendas do governo. Era rigorosamente inacreditável que um homem desses pudesse ser encarcerado; nunca tinha acontecido antes, e talvez nunca mais volte a acontecer. Quem seria capaz de imaginar uma coisa dessas em nosso Brasil brasileiro? É como se tivessem prendido o papa Francisco. Mas aí está: aconteceu. Lula, de repente, percebe que não pode contar mais com o impossível.
O ex-presidente está lidando com a carga de TNT espalhada à sua volta com o mesmo sistema que utilizou em todas as suas desventuras anteriores: como ficou claro no jato de declarações que decidiu fazer nos últimos dias, ele se defende negando, simplesmente, a realidade que está na cara de todo mundo. O que vai contra os seus interesses não existe, por maiores que sejam as provas em contrário; continua convencido de que o brasileiro gosta muito mais das coisas que ele diz do que das coisas como elas realmente são. Lula, que imagina ser o líder popular ótimo e máximo, como o deus Júpiter, não pode pôr o pé na rua, com medo de ser vaiado pelo povo de seu país. Não pode dar uma entrevista livre à imprensa, com medo das perguntas que vão lhe fazer. Está mais do que provado que em seu governo, e no governo da sua sucessora, a população foi roubada pela maior onda de corrupção dos 500 anos de história do Brasil.
O tesoureiro do seu partido está num xadrez em Curitiba. Tem a companhia, ali, de empreiteiros de obras que há anos presenteiam o ex-presidente com viagens em jatinhos particulares, utilizaram seus serviços como promotor de vendas, pagaram-lhe milhões de reais em troca de palestras e mantêm com ele uma intimidade tão completa a ponto de lhe darem o amável apelido de “Brahma”. Lula é responsável direto pela invenção de Dilma Rousseff, que está a caminho de tornar-se a pior presidente que este país já teve. Advoga, em público, a favor de diversos dos mais sinistros ditadores do planeta — e por aí segue a procissão. Mas ele parte para sua defesa, mais uma vez, agindo como se tudo isso estivesse acontecendo em alguma galáxia perdida no fundo do universo. Ou, se está acontecendo aqui, o único que não tem nada a ver com a história é ele mesmo.
De quem seria a culpa, nesse caso? Eis uma questão em que o ex-presidente não se aperta; ele é um grande especialista em fuzilar feridos para salvar a si mesmo. Na sua atual ofensiva, e logo de cara, não teve o menor problema em sair acusando o governo Dilma, na esperança de misturar-se aos 65% de brasileiros que acham ruim ou péssimo o desempenho de sua criatura. A presidente, descobriu Lula, está no “volume morto” — como se ele não tivesse responsabilidade nenhuma por nada do que está dando errado. O PT, que vai tão mal quanto Dilma, foi denunciado por “pensar só em cargos” e os petistas por não fazerem “nada de graça” — como se ele não cobrasse pelos serviços que presta aos empreiteiros. Culpou o ódio cada vez maior que existe contra o partido — como se ele não fosse o produtor número 1 do rancor na política brasileira. Acusou o governo Dilma de não fazer nada, com seu “legalismo”, para combater a ação da Justiça nas investigações de corrupção — e o que queria que fosse feito? Não existe a menor ligação disso tudo com a verdade dos fatos, é óbvio. Fica apenas uma soberba sem limites, hoje transformada num vício do qual Lula parece incapaz de se livrar.
Lula precisa fazer mais do que repetir a mesma missa. O fogo de Curitiba, com o correr do tempo e a coleta de provas, deveria estar cada vez mais longe dele. Está cada vez mais próximo.

LAVA-JATO

DILMA


A presidente Dilma Rousseff com Condoleezza Rice
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Dilma é alvo de ofensas durante visita a universidade americana.

Agressões verbais foram feitas quando a presidente percorria o local com comitiva ao lado de Condoleezza Rice.

REI DO TAPETÃO


Carlos Chagas
O REI DO TAPETÃO É CANDIDATO.
Mais chocante do que o golpe do deputado Eduardo Cunha, fazendo aprovar na madrugada seguinte o que havia sido rejeitado na anterior, é a inexplicável mudança de posição de vinte deputados. Na véspera, eles haviam votado contra a redução da maioridade penal para 16 anos. No dia seguinte, votaram a favor.
Só quem não muda são os tolos, diz o refrão, mas outros motivos existiram para a transformação de Suas Excelências em birutas de aeroporto. Em 24 horas parece difícil passar de um extremo a outro, a não ser...
A não ser que o presidente da Câmara se tenha valido de argumentos pouco ortodoxos para providenciar as alterações de voto. Pressionar com truculência não é do estilo do deputado. Sendo assim, terá prometido benesses e favores aos colegas. Como por exemplo um futuro condomínio no poder maior.
Frente ao artifício regimental utilizado para reverter o resultado anterior levantou-se a dúvida sobre o comportamento dos vinte deputados. Quarta-feira, por volta de uma hora da manhã, negaram a redução da maioridade. Vinte e quatro horas depois, aprovaram. Importa menos se do novo texto foi excluído o tráfico de drogas e o roubo com violência. Afinal, o que se desejava mesmo era punir atentados contra a vida por parte de menores entre 16 e 18 anos.
Ficou claro, na segunda sessão, que Eduardo Cunha não ganhou no berro, mas no jeitinho. Demonstrou que acima da lógica predominam fatores esotéricos. Afirmou-se como o rei do tapetão. Sua vontade vale mais do que a lei.
A pergunta que fica é porque tanto empenho em dobrar a espinha dorsal da Câmara, e a resposta começa a se delinear: o homem é candidato a presidente da República no longínquo 2018. Não lhe basta a afirmação do poder parlamentar sobre o palácio do Planalto. É necessário que não perca qualquer embate, nem no “cara” ou “coroa”, como comentou logo após a vitória. De tabela, infligiu outra derrota ao PT.
A FINALIDADE DA PENA
Em meio a explosões emocionais a respeito das condenações que mereceriam jovens entre 16 e 18 anos autores de crimes hediondos, emerge questão mais profunda: a finalidade da pena é reparar o passado ou preservar o futuro? Punir ou recuperar?
Quem quiser que responda, mas vem de tempos imemoriais a discussão. Melhor seria, como nos tempos da loteria esportiva, marcar coluna do meio...

DIÁRIO DO PODER CLAUDIO HUMBERTO


A área técnica do Tribunal de Contas da União ingressou com medida cautelar para obrigar o governo Dilma a interromper imediatamente as “pedaladas fiscais”, que continuam acontecendo apesar do processo iniciado em 2014 no próprio TCU contra esse crime previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal. A turma de Dilma brinca com fogo: estima-se em R$ 40 bilhões o impacto dessa manobra nas contas do governo.
O Tesouro segurou repasses e os benefícios sociais foram pagos pela Caixa e Banco do Brasil, caracterizando empréstimo ilegal ao governo.
Outro papel das pedaladas é reduzir artificialmente o déficit do governo. O TCU já decidiu que houve crime e apontou 17 autoridades suspeitas.
Ministros do TCU acham um deboche do governo seguir com a prática delituosa de pedaladas em 2015 apesar do processo aberto no tribunal.
O procurador Rodrigo Janot recebeu representação da oposição há 40 dias, contra Dilma, por crime financeiro. Mas ainda não se pronunciou.
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O deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG) é o relator do novo Marco Regulatório da Mineração, em discussão na Câmara dos Deputados, apesar de sua campanha ter sido financiada por empresas do setor de mineração. Da receita de R$ 4,9 milhões de sua campanha de 2014, R$ 2,1 milhões têm mineradoras como origem. Procurado com insistência para explicar suas razões, Quintão não se deixou localizar.
A ligação do deputado Leonardo Quintão com o setor minerador é até familiar: seu irmão Rodrigo é dono de uma mina e administra outra.
Leonardo Quintão tem ambições no setor. Até indicou o atual diretor do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Celso Garcia.
Nascido em Taguatinga (DF), Quintão iniciou como vereador e quase foi eleito prefeito de BH em 2008: teve mais de meio milhão de votos.
Ao reconhecer a instalação de escuta ilegal na cela do doleiro Alberto Youssef, o agente da Polícia Federal que depôs ontem na CPI da Petrobras deu fôlego aos advogados dos acusados da Lava Jato. Devem tentar anular o processo, como na Operação Satiagraha.
O criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, considera caso “gravíssimo” a escuta ilegal na cela de Youssef. Mas só poderá opinar com propriedade após a leitura do depoimento do agente da PF.
O PSDB vai usar a convenção do partido, neste domingo (5), para unificar discurso pregando a renúncia da presidente Dilma. A bandeira do impeachment ainda não é unanimidade no partido.
O Planalto acha que foi recado do próprio Michel Temer a defesa que fez o deputado Eduardo Cunha da saída do vice da articulação política. É que Dilma não honra os compromissos que Temer assume em nome do governo, e ele ainda tem Aloizio Mercadante sabotando o trabalho.
Esbravejando contra Eduardo Cunha, presidente da Câmara, os adversários ajudam a inflar o prestígio dele, que virou herói para 87% dos brasileiros que defendem a redução da maioridade penal.
Edison Lobão (MA) e Romero Jucá (RR), do PMDB, causaram espanto na Comissão de Relações Exteriores do Senado pela entusiástica apologia ao mais “bolivarianista” dos diplomatas, Antônio Simões, indicado pelo aspone Top-Top para embaixada do Brasil em Madri.
Enquanto nos EUA Dilma fazia declarações peremptórias do tipo “eu agaranto”, 630 mil trabalhadores da construção civil não conseguiam garantir o emprego. É o exato número de desempregados no setor.
Cartazes apócrifos espalhados por Brasília acusam FHC, o “marechal tucano”, de mandar sangrar Dilma para “matar Lula”, além de acusar o ex-tesoureiro tucano Márcio Fortes de envolvimento no Swissleaks.

Não seria o melhor momento para uma debandada, agora que a crise retorna de sua viagem aos Estados Unidos?

2 de jul de 2015

PÉROLAS DA ANTA.


Ah! bom... Se não fosse trágico...
Frases da “Presidanta”: quase um samba do crioulo doido...
Está em ordem decrescente propositadamente....
GRANDES FRASES DA “PRESIDANTA???”
18º lugar.
“Eu sempre escuto os prefeitos. Por que é que eu escuto os prefeitos? Porque é lá que está a população do país, ninguém mora na União, ninguém mora… “Onde você mora?” “Ah, eu moro no Federal”.
17º lugar.
“A única área que eu acho, que vai exigir muita atenção nossa, e aí eu já aventei a hipótese de até criar um ministério, é na área de… Na área… Eu diria assim, como uma espécie de analogia com o que acontece na área agrícola.”
16º lugar.
“A mulher abre o negócio, tem seus filhos, cria os filhos e se sustenta, tudo isso abrindo o negócio.”
15º lugar.
“A Zona Franca de Manaus, ela está numa região. Ela é o centro dela porque ela é a capital da Amazônia.”
14º lugar.
“Vamos dar prioridade a segregar a via de transporte. Segregar via de transportes significa o seguinte: ou você faz metrô, porque o metrô… porque o metrô, segregar é o seguinte, não pode ninguém cruzar rua, ninguém pode cruzar a rua, não pode ter sinal de trânsito, é essa a ideia do metrô. Ele vai por baixo, ou ele vai pela superfície, que é o VLT, que é um veículo leve sobre trilho. Ele vai por cima, ele para de estação em estação, não tem travessia e não tem sinal de trânsito, essa é a ideia do sistema de trilho.”
13º lugar.
“Tudo o que as pessoas que estão pleiteando a Presidência da República querem é ser presidente.”
12º lugar.
“Eu vi. Você veja… Eu já vi, parei de ver. Voltei a ver e acho que o Neymar e o Ganso têm essa capacidade de fazer a gente olhar.”
11º lugar .... “Eu quero adentrar pela questão da inflação, e dizer a vocês que a inflação foi uma conquista desses 10 últimos anos do governo do presidente Lula e do meu governo.”
10º lugar.
“Eu também vou falar… Eu vou falar pouco. Vou explicar por quê: todo mundo, antes de mim, disse que ia falar pouco, não é? E aí, tinha uma senhora ali, na frente, que falou o que todos nós estamos sentindo. Ela disse assim: “Eu estou com fome”. E eu vou levar em consideração ela, que falou uma coisa que todo mundo está pensando, mas não está falando.”
9º lugar.
“A autossuficiência do Brasil sempre foi insuficiente.”
8º lugar.
“Em Portugal, o desemprego beira 20%. Ou seja, 1 em cada 4 portugueses estão desempregados.”
7º lugar.
“Primeiro, eu queria te dizer que eu tenho muito respeito pelo ET de Varginha. E eu sei que aqui, quem não viu conhece alguém que viu, ou tem alguém na família que viu, mas de qualquer jeito eu começo dizendo que esse respeito pelo ET de Varginha está garantido.”
6º lugar.
“Em Vidas Secas está retratado todo problema da miséria, da pobreza, da saída das pessoas do Nordeste para o Brasil.”
5º lugar.
“O meio ambiente é sem dúvida nenhuma uma ameaça ao desenvolvimento sustentável.”
4º lugar.
“Eu quero, então, voltar aonde eu comecei. Eu vou falar agora que aqui tem 37 municípios. Eu vou ler os nomes dos municípios, porque eu acho importante que cada um de vocês possam (sic) se identificar aqui dentro e, por isso… Eu ia ler os nomes, não vou mais. Por que não vou mais? Eu não estou achando os nomes. Logo, não posso lê-los.”
3º lugar.
“Eu ontem disse pro presidente Obama que era claro que ele sabia que depois que a pasta de dente sai do dentifrício ela dificilmente volta pra dentro do dentifrício. Então que a gente tinha de levar isso em conta. E ele me disse, me respondeu que ele faria todo esforço político para que essa pasta de dente pelo menos não ficasse solta por aí e voltasse uma parte pra dentro do dentifrício.”
2º lugar.
“Eu estou muito feliz de estar aqui em Bauru. O prefeito me disse que eu sou, entre os presidentes, nos últimos tempos, uma das presidentes, ou presidentes, que esteve aqui em Bauru.”
E finalmente, o 1º (ríssimo) lugar.
“Se hoje é o dia das crianças, ontem eu disse que criança… O dia da criança é dia da mãe, do pai e das professoras, mas também é o dia dos animais, sempre que você olha uma criança, há sempre uma figura oculta, que é um cachorro atrás.”
Ela é melhor que o saudoso Vicente Matheus!
A grotesca criatura Dilma quase supera seu vil criador Lula!

DIRETO AO PONTO.


Carlos Graieb e Augusto Nunes no Aqui entre Nós: insone com a chegada ao Planalto da lama do Petrolão, Dilma transfere 2013 para a Idade Média.


MANDIOCA

Alamir Longo: Evocação da mandioca.


17474058
ALAMIR LONGO
I
Pois a nossa presidente
Resolveu sair da toca
Foi numa festa de índio
Discursar dentro da oca
Num ritual quase sagrado
Fez saudação à mandioca.

HOMEM SEM VISÃO

Jô Soares usa como arma eleitoral um vídeo que junta 11 momentos da conversa com a comadre Dilma e conquista o troféu de junho.


Jô- HSV- Junho
“Um beijo do Gordo, Presidenta!”, exclamou Jô Soares ao ser oficialmente informado da vitória na enquete que elegeu o Homem sem Visão de Junho. Com 5.067 do total de 8.922 votos, o campeão assegurou uma folgada vantagem sobre Fernando Pimentel (3.056 votos) e Sérgio Mamberti (799). “Dedico este triunfo à mulher mais culta, meiga, competente, elegante, gentil, erudita, sedutora e talentosa que já governou o Brasil”, emocionou-se o mestre na arte da entrevista a favor.
Segundo um dos músicos que trabalham no Programa do Jô, o HSV de Junho atribui seu notável desempenho na enquete ao golpe de marketing sugerido por João Santana. Tão logo a votação começou, o comitê central da campanha valeu-se das redes sociais para divulgar o vídeo, abaixo reproduzido, que agrupa 11 momentos antológicos da conversa de comadre. Confiram a jogada eleitoral que liquidou as chances dos dois concorrentes.
Garantida a vaga na finalíssima de dezembro, Jô revelou a um primo que já traçou o caminho que poderá levá-lo ao título de Homem sem Visão do Ano. “Ele disse que só precisa de uma entrevista por mês com a Presidenta”, confidenciou a fonte. “Na conversa de julho, por exemplo, ele provaria por A mais B que a conquista da mandioca só não foi mais impressionante que os 7 a 1 contra a Alemanha”. No último bloco, Dilma mostraria que entende mais de Inconfidência Mineira que o companheiro Tiradentes.
Foi mais uma demonstração de espírito cívico dos leitores-eleitores! E já começou a disputa pelo troféu de julho! Como sempre, que vença o pior!

OPINIÃO

Reynaldo Rocha: A leitora voraz festejada por Jô deveria ter lido a frase de Lincoln.

REYNALDO ROCHA: A LEITORA VORAZ FESTEJADA POR JÔ DEVERIA TER LIDO A FRASE DE LINCOLN.

REYNALDO ROCHA
Em dezembro de 2014, portanto há seis meses, a presidente Dilma Roussef tinha 40% de aprovação popular. Recém-eleita, era consagrada por um índice confortável. E 27% diziam que ela era péssima ou ruim.
Um número preocupante, para quem acabava de ganhar um segundo mandato presidencial. Mas, como sempre, subestimado. Eram 27% de coxinhas ou ricos. Passados seis meses, Dilma tem 9% de aprovação. Para 68%, é ruim ou péssima.


O que aconteceu? São 68% de coxinhas? É culpa da oposição? Qual? A que se mantém inerte embora acusada de querer um terceiro turno? De onde vêm esses  números? Raros são os lulopetistas que admitem a realidade.
Não se pode confiar em Lula, até os petistas sabem. As críticas do líder supremo da seita se amparam em princípios nem são honestas. Ele nunca esteve preocupado com o governo ou com o país. As críticas derivam do medo de ser encarcerado pelo que fez com a Petrobras e no governo. E no fim do sonho de retornar ao poder.
Dilma, essa leitora voraz segundo Jô Soares, não deve ter lido Abraham Lincoln: “Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo.” Frase batida, mas irrefutável. 68% dos brasileiros não aceitaram ser enganados todo o tempo.
Dilma colhe o fruto das mentiras que plantou. Das promessas impossíveis. Da farsa que demonizava o opositor. Da divisão entre os justos e os ímpios, que somos nós. .
Prometeu (e cumpriu) “fazer o diabo” para ganhar as eleições. Mas esqueceu o que prometera sobre direitos trabalhistas. A vaca morreu de tanto tossir.

A lama invadiu o gabinete da faxineira que fingia varrer malfeitos. Depois de acusar de “neoliberal” o programa dos opositores, rendeu-se incondicionalmente a Joaquim Levy, o mais ortodoxo discípulo do neoliberalismo.
A gerente vigilante distribuiu ministérios de modo absurdamente irresponsável. Alguém sabe o que fez o ministro da Pesca, filho de Jader Barbalho, que tomou dinheiro do BNDES para inexistentes criadouros de rãs?
Dilma conseguiu desmontar-se em dois meses. Foi ela quem arrancou a máscara com que os marqueteiros tentaram camuflar a carranca. Agindo assim, provou que as previsões dos oposicionistas nada tinham de exageradas. É perda de tempo desmentir em discursos tardios que passou a campanha mentindo.
Por dizerem tudo, os fatos nos dispensam de tentar entender o que Dilma diz.
Isso ajuda a entender o tamanho da rejeição à protagonista da farsa.

MAIORIDADE

Brasil

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, cochicha ao ouvido do deputado Leonardo Picciani durante discussão da redução da maioridade penal Foto: ANDRE COELHO / Agência O Globo

Manobra de Cunha garante aprovação de redução da idade penal na Câmara.

Novo texto é aprovado em 1º turno e ainda depende de outras votações. Na sessão, deputados contrários à medida prometeram recorrer ao STF. 

ATÉ QUANDO?

Sandra Starling
Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?

De súbito deu-me uma saudade imensa dos bancos escolares onde líamos Cícero em suas diatribes contra os excessos de Lúcio Sérgio Catilina, general romano. E continuava: “Por quanto tempo ainda esse seu rancor nos enganará? Até que ponto a tua audácia desenfreada se precipitará sobre nós?”

Foi com esse sentimento que li as declarações de Lula – palavras jogadas a uma plateia escolhida, quando as devia ter dito dentro do congresso do PT, ocorrido dias antes. Aliás, corrijo-me: ditas, não, deveriam ter sido praticadas lá, naquele lugar apropriado, onde, como nos últimos muitos anos, o líder atuou como rolo compressor sobre os que clamavam por mudanças.

E nem vou falar da “mulher sapiens” de uma presidente que parece fora de si. Talvez pelos remédios que anda tomando para emagrecer. Sei lá. Ou sobre uma oposição que nem oposição consegue ser, já que adota as bandeiras que antes repudiava para tentar agradar, logo quem?!, aos trabalhadores, por quem nunca teve respeito algum.

Não, não dá mais para aguentar. E pensar que as alternativas até agora postas não nos trazem nenhuma esperança de futuro: Aécio Neves, o próprio Lula, Eduardo Cunha, Renan Calheiros, Michel Temer, Geraldo Alckmin, José Serra. E eu, que estudava feito doida a Revolução dos Cravos em Portugal para tentar uma comparação do movimento iniciado lá pelos capitães com a transição aqui da ditadura para os governos ditos democráticos.

Mas algo mais ainda iria acontecer. Súbito, resolvo assistir a novelas na emissora global, até com um propósito nobre. Verificar in loco o que andam dizendo de que a audiência da emissora vem caindo por ela estar dedicando cenas a mostrar o amor entre duas mulheres mais velhas, como já mostrara cenas de união homossexual em outras tramas.

Nunca vejo novelas, mas queria aproveitar a companhia de uma senhora que há muito trabalha em minha casa e poder discutir com ela problema tão dramático como os que vivem aqueles que têm orientação sexual diferente da chamada “normal”. Caio para trás com o teor das duas sucessivas novelas: uma verdadeira “escola de golpes”, como bem nomeou minha amiga Ângela Leite de Souza. “Babilônia” e “Verdades Secretas” são novelas que nem parentesco possuem com uma “Roque Santeiro”, com a antiga “O Bem-Amado”, “Beto Rockfeller” e tantas e tantas histórias ora comoventes, ora hilariantes, sempre precedidas de fundos musicais que todo mundo cantarolava. Agora, apenas rancor, ciúmes doentios, vinganças, traições e o dinheiro a tudo comprando, inclusive e principalmente o sexo de menininhas embevecidas com sua própria beleza. Ninguém tem caráter. Todos têm um preço, e todos não veem obstáculo que não tentem transpor para atingir seus objetivos. Vale até a terrível cena de uma mãe ensinando a própria filha a usar, por vingança, uma arma de fogo.

Quando a crise chega a um país ao fundo do poço, nenhuma forma de cultura consegue sobreviver.

Estamos assim. E morreu Fernando Brant. Noticiaram de preferência certo cantor sertanejo. Sem preconceito.

DIÁRIO DO PODER CLAUDIO HUMBERTO


O governo ainda recorre a “pedaladas fiscais”, manobra contábil para fingir superávit, por exemplo, que em 2014 levou o Tribunal de Contas da União a abrir processo. A Lei de Responsabilidade Fiscal pune as “pedaladas” como crime. A artimanha é complexa: em razão de atrasos nos repasses do Tesouro Nacional, o governo financia programas com recursos de instituições oficiais, como Caixa e Banco do Brasil.
Benefícios como Bolsa Família e seguro-desemprego, pagos pelo BB e Caixa, não atrasam. Mas o ressarcimento aos bancos é outra história.
De acordo com líderes do Congresso, a Caixa ainda sofre na mão do governo: os repasses estão atrasados há meses.
Com arrecadação em baixa e crise se agravando, a Caixa atrasa os recursos do “Minha Casa, Minha Vida”, paralisando o programa.
Segundo o atual processo aberto no TCU, cerca de R$ 40 bilhões estiveram enrolados nas pedaladas fiscais de Dilma entre 2012 e 2014.
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Alguns integrantes da força-tarefa da Lava Jato suspeitam que não eram do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco os US$ 100 milhões que ele devolveu. Roubado da estatal por meio de superfaturamento e outros negócios escusos, o dinheiro estava no exterior. A suspeita é que ele seria “fiel depositário”, em nome do ex-chefe Renato Duque, ex-diretor ligado ao PT, e de autoridades dos governos Lula e Dilma.
Influente ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque foi selecionado para o cargo, pessoalmente, pelo ex-ministro José Dirceu.
Desconfia-se que o ex-gerente devolveu o dinheiro que “guardava” para outras pessoas, preservando a parte dele em lugar seguro.
Os espantosos US$100 milhões (R$301 milhões) devolvidos por Pedro Barusco são a maior apreensão de dinheiro roubado na Lava Jato.
O painel de votação do reajuste do Judiciário, no plenário, era o retrato da falência do governo Dilma, segundo o senador Aécio Neves (PSDB-MG): partidos votando contra o ajuste fiscal do governo que apóiam e o PT se lixando, ao liberar seus parlamentares a votar como quisessem.
O líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), foi o único governista a defender o ajuste fiscal, orientando voto contra o aumento do Judiciário. Até os adversários reconheceram sua luta solitária.
As forças aliadas no Congresso parecem empenhadas em dificultar a vida de um governo em declínio. Ajudaram a aprovar o aumento da Justiça para pôr no colo Dilma o desgaste do veto, em nome do ajuste.
PT, PSOL, PCdoB, PDT e PSB ameaçam judicializar a votação da emenda que reduz a maioridade penal. Os partidos criaram um grupo contra o que chamam de “escalada autoritária” de Eduardo Cunha.
Silvio Costa (PSC-PE) esbravejou contra o presidente da Câmara, que, segundo ele, livrou um convocado de depor na CPI das Próteses: “Quero ver ele explicar por que está protegendo bandido”.
O Grupo Andrade Gutierrez reafirma que teve prejuízo de R$ 451 milhões em 2014. O lucro de R$ 444 milhões da AG Participações só foi alcançado incluindo suas empresas que têm concessões públicas.
Os tucanos Betinho Gomes (PE), Eduardo Barbosa (MG), João Paulo Papa (SP), Mara Gabrilli (SP) e Max Filho (ES) passaram o dia explicando o voto contrário a PEC da maioridade. Foram decisivos.
Milhares de felizes clientes do Uber, aplicativo de serviço de carro com motorista, inundam a caixa postal do governador do DF, Rodrigo Rollemberg, pedindo – em nome do direito de escolha – veto ao projeto da Câmara Legislativa tornando ilegal essa alternativa de mobilidade.

...as crises política, econômica e ética no governo estão longe do final, já o governo Dilma parece cada vez mais perto.