27 de abr de 2015

BRASIL INDO P/BREJO

Caixa Econômica volta a reduzir cota do financiamento da casa própria

Medida vai atingir os novos contratos de imóveis usados, a partir da próxima segunda-feira. Última redução foi há duas semanas.

Arrecadação tem ligeira alta em março, mas recua 2% no 1º tri

Aumento acima da inflação no mês foi de 0,48% na comparação com o mesmo período de 2014. Valor total foi de R$ 94,112 bi.
Renda média do brasileiro ficou em R$ 1.052 Foto: Dado Galdieri / Bloomberg

Dívida federal sobe para R$ 2,4 trilhões, maior alta em 5 anos.

Crescimento em março foi de 4,79%, segundo o Tesouro Nacional.

COCEIRINHA NO RABO

OPINIÃO

Duas notas de Carlos Brickmann



CARLOS BRICKMANN
Um alto dirigente político acaba de renunciar ao cargo, depois da denúncia de ter sido subornado por um empreiteiro. Valor do suborno, conforme a denúncia: pouco menos de US$ 28 mil (mil mesmo: não é milhão nem bilhão). O empresário não teve a oportunidade de livrar-se com delação premiada, nada dessas coisas: quando foi acusado por desvio de dinheiro, suicidou-se, deixando uma lista com o nome de altos dirigentes políticos, todos ligados à presidenta da República, e o valor do suborno pago a cada um. O líder renunciante negou as acusações, lembrou que foi o primeiro a propor guerra total à corrupção, garantiu que jamais recebeu suborno nem deste empreiteiro nem de ninguém, mas renunciou para que a sombra de seu alto cargo no Governo não atrapalhasse as investigações. A presidenta já teve vários auxiliares acusados de corrupção (nenhum, entretanto, tão importante quanto este); e garantiu que apoia integralmente as investigações.
História esquisita, não? Mas vamos esclarecê-la: o país não é o Brasil, claro. É a Coreia do Sul. Quem renunciou, acusado de suborno, foi o primeiro-ministro Lee Kwan-koo, ligadíssimo à presidenta da República, Park Geun-hie, que aliás se encontrou com Dilma na sexta-feira. O empreiteiro que se suicidou ao ser acusado de subornador é Sung Wang-hong. Não, ele não pagou para conseguir contratos, mas para receber apoio político à sua candidatura a deputado (e perdeu a eleição). A presidente assegura que, como nos casos anteriores de auxiliares acusados de corrupção, não sabia de nada. 
E, caro leitor, deixe a maldade de lado.


Felação premiada
Parece inacreditável, mas há espaço para grandes escândalos fora da área federal (ao menos por enquanto), que combinam sexo, dinheiro e pedofilia. Este, que se segue, é composto de vários crimes hediondos, mais a velha e tradicional corrupção. Em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, um ex-deputado, Sérgio Assis, do PSB, e um vereador, Alceu Bueno, do PSL, foram filmados mantendo relações sexuais com meninas de no máximo 15 anos. Quem providenciava as meninas era Fabiano Viana Otero; além das jovens, ele providenciava o equipamento de vídeo e as gravações clandestinas, depois utilizadas para chantagear os clientes. Otero disse contar com a ajuda do empresário Luciano Roberto Pageu e do ex-vereador Robson Martins – ambos com prisão preventiva decretada.

Agora, a parte mais inacreditável: Otero propôs à Justiça e ao Ministério Público uma delação premiada, em que entregaria outros políticos envolvidos no caso, por “participação indireta” na exploração sexual das jovens, e outros vídeos com Sérgio Assis e Alceu Bueno. Em troca, pede que sua prisão seja revogada. 
Assim que o caro leitor se recuperar do enjoo, a dúvida: é só lá que tem disso?

UCHO.INFO

Lava-Jato: revista Veja afirma que executivo da OAS relatou favores ao agora lobista Lula

lula_371Chegando ao epicentro – Neste fim de semana, a revista Veja divulgou uma reportagem afirmando que o engenheiro Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS, cogita fazer delação premiada na Operação Lava-Jato. Segundo informações, o depoimento pode implicar o ex-presidente Luiz Inácio da Silva, de quem o executivo seria amigo.
O executivo, de 63 anos, está preso desde novembro, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Juízo Final. Ainda de acordo a revista, nesse período Pinheiro vem estruturando o que poderia ser seu depoimento no acordo para tentar livrá-lo da carceragem.
A matéria indica três fatos que poderiam fazer parte da eventual delação de Pinheiro. O primeiro seria quando em 2010, o ex-presidente da república teria pedido para que o executivo da OAS providenciasse a reforma do sítio Santa Barbara, em Atibaia (SP). A publicação afirma que o sítio é identificado por políticos e amigos como sendo de Lula, embora no cartório da cidade esteja registrado oficialmente em nome de Jonas Suassuna e Fernando Bittar, sócios de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do ex-metalúrgico.
De acordo com a Veja, Léo Pinheiro também “ajudou” Lula no ramo imobiliário. O empreiteiro afirma que, a pedido do ex-presidente, incorporou prédios inacabados da Cooperativa dos Bancários (Bancoop), uma entidade ligada ao PT. É importante ressaltar que a OAS concluiu no início do ano a construção do Edifício Solaris, da Bancoop, prédio na praia do Guarujá (SP). O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, também preso pela Polícia Federal pela Lava Jato, e Lula têm apartamentos no empreendimento.
Uma suposta ajuda de Pinheiro a Rosemary Noronha, ex-chefe do escritório da Presidência da República e amiga íntima de Lula, seria o terceiro ponto. Rosemary deixou o cargo em 2012 após investigação da Polícia Federal, que flagrou-a como integrante de um grupo que vendia a empresários facilidades no governo. A revista afirma que Lula pediu ao empreiteiro que ajudasse João Batista, um pequeno empresário da construção civil e marido de Rosemary. Após o pedido do todo-poderoso petista, João Batista teria conseguido um bom emprego.

A revista Veja não garante que Léo Pinheiro efetivamente fará a delação premiada. Vale lembrar que na edição de 21 de fevereiro deste ano a publicação informou sobre a possibilidade de delação premiada do engenheiro Ricardo Pessôa, dono da UTC, mas dois meses depois o executivo ainda não fez o depoimento. (Por Danielle Cabral Távora)

LAVA-JATO

A ex-ministra Gleisi Hoffmann Foto: André Coelho / OGlobo

Gleisi nega ter recebido dinheiro de ex-diretor da Petrobras.

Senadora, no entanto, admitiu ter pedido contribuições a grandes empreiteiras investigadas na Operação Lava-Jato.

PT PRIVATIZANDO


Porto de Paranaguá: governo cogita conceder a construção de canais de acesso, com dragagem
Foto: Guito Moreto / Guito Moreto/7-4-2013

Novo pacote de privatizações deve sair em dez dias.

Ministro da Fazenda terá palavra final sobre projetos de infraestrutura para não comprometer ajuste fiscal. 

DIÁRIO DO PODER - CLAUDIO HUMBERTO


O Partido dos Trabalhadores prepara ação contra o juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato. A área jurídica do PT trabalha em sigilo na consolidação de argumentos para alegar a “suspeição” do magistrado, em razão de prisões de petistas, que eles consideram “políticas”. A intenção é colocar Moro “na defensiva”, segundo uma fonte do partido. Trocando em miúdos, querem intimidar o juiz.
O PT sonha afastar Sergio Moro da Lava Jato, acusando-o de “parcial”, “antipetista” etc. Conversa fiada: é só um juiz corajoso e incorruptível.
A prisão da cunhada de João Vaccari será usada pelo PT contra Moro, que a soltou tão logo se pôs em dúvida sua identidade em um vídeo.
Os petistas querem que Marice Corrêa de Lima, a cunhada de Vaccari, acione Sergio Moro por “dano moral”. Ela não parece disposta a isso.
João Vaccari, que o PT trata como “preso político”, é réu por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
A nova divisão do Fundo de Participação dos Estados (FPE), definida no governo Dilma, vai gerar prejuízo de pelo menos R$ 3,7 bilhões nos orçamentos de 11 Estados no ano que vem. De acordo com os índices calculados pelo Tribunal de Contas da União (TCU), Pernambuco, Rio Grande do Sul e Bahia sofrerão os piores cortes, devido ao aumento maior do PIB per capita em relação à média nacional nos últimos anos.
Os governos do PMDB no Rio Grande do Sul, Tocantins e Sergipe vão perder R$ 1,28 bilhão por ano, no mínimo, para investimentos.
O impacto também será forte em estados governados pelo PT. Bahia, Ceará e Piauí, somados, vão perder R$ 1 bilhão do FPE em 2016.
A queda na popularidade do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), tem tudo para piorar com o corte de R$ 287,5 milhões na sua receita.
O presidente da Câmara pretende pôr catracas na entrada do plenário para restringir o acesso de lobistas. Eduardo Cunha é investigado na Lava Jato justamente por sua ligação com o lobista Fernando Baiano.
Bem distante da discrição do chefe, a turma de Michel Temer batalha ativamente pelo ex-assessor jurídico Hércules Fajoses para vaga no Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Há resistências por ser ele de São Paulo e o TRF-1 abrange MG, BA, PI, MA, centro-oeste e norte.
Poucos ainda levam a sério ONGs que ganham dinheiro, sobretudo em dólares, com seus números espalhafatosos de desmatamento da Amazônia. Se somados os números, a Amazônia já seria um deserto.
O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) foi convocado para audiência na Câmara, nesta quarta-feira (29), para falar sobre seus encontros com advogados de empreiteiras investigadas na Lava Jato.
O senador Reguffe (PDT) não esconde a indignação com o governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB), que ajudou a eleger, por não cumprir promessas de cortar cargos e reduzir impostos de remédios.
Servidores da Câmara estão preocupados com a implantação de controle eletrônico de frequência, que deve entrar em vigor na próxima semana. A vantagem é que todas as horas extras serão faturadas.
As imagens da prisão na Itália mostraram um Henrique Pizzolato mais rechonchudo do que o mensaleiro fugitivo de um ano e meio atrás. Até no presídio em Modena a comida deve ser boa. Já na Papuda...
O relator da indicação de Luiz Edson Fachin para ministro do Supremo Tribunal Federal, senador Alvaro Dias (PSDB-PR), está com o parecer quase pronto. Faltam depoimentos de juristas favoráveis à indicação.

...com o balanço da corrupção, “a Petrobras virou uma página”, garantiu Dilma. Escrita mal e porcamente pelo Lula, faltou dizer.

26 de abr de 2015

OPINIÃO


TRIÂNGULO DA MORTE
Publicado no Estadão
ELIANE CANTANHÊDE
O encantado balanço da Petrobrás desencantou, confirmando, agora em números, qual o primeiro e maior problema da principal companhia brasileira: a ingerência política. Foi ela, a ingerência política, que fechou o triângulo mortal da corrupção, do péssimo gerenciamento e do represamento artificial das tarifas. Deu no que deu
Essa conjunção maldita acabou com a saúde e com a imagem da Petrobrás no País e no mundo, mas o pior é que não foi uma exclusividade da Petrobrás, mas sim a marca dos anos do PT, particularmente dos anos Lula, nos órgãos públicos e nas estatais. Aparentemente, nada escapa.

Foi por interesses políticos que o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a partir de sua posse, em janeiro de 2003, nomeou sindicalistas alinhados ao PT para a presidência da Petrobrás e para as diretoriais do Banco do Brasil, por exemplo, e fatiou os principais cargos da petroleira entre “companheiros” petistas e “operadores” dos partidos aliados. Só podia descambar para esse descalabro.
O resultado mais gritante no balanço anunciado na noite de quarta-feira é o das perdas de R$ 6,2 bilhões por causa da corrupção e, apesar de nada módico, esse total é visto com muita desconfiança por especialistas. Há quem imagine que a sangria foi ainda maior. Se você nomeia um diretor para abastecer as contas do PT e bolsos de petistas, outro para rechear as contas do PMDB e carteiras de pemedebistas, um terceiro para engordar as contas do PP e o patrimônio de pepistas, deveria saber o que estava fazendo. Tudo isso se embolou com o velho cartel de empreiteiras e com os doleiros de sempre e a consequência é: corrupção.
Mas há dois outros resultados irritantes no balanço apresentado pelo novo presidente da companhia, Aldemir Bendine. O segundo é o mau gerenciamento da empresa, o que não chega a ser surpreendente quando sindicalistas e apadrinhados se dão ao luxo de definir os investimentos da nossa Petrobrás para atender os interesses do Palácio do Planalto. É assim que surgem obras muito caras – e de potencial duvidoso – em Estados governados por amigos do rei. Sobressaem-se aí pomposas refinarias, agora abandonadas.
O terceiro resultado é o efeito corrosivo do represamento político dos preços da gasolina para postos e consumidor. Lula segurou para não arranhar a sua já imensa popularidade. Deu tão certo que ele continuou segurando para se reeleger, para eleger Dilma da primeira vez, para reeleger Dilma em 2014. O efeito foi ótimo para eles e péssimo para a Petrobrás.
Mais cedo ou mais tarde, essa conta chega para o consumidor/eleitor. E está chegando da forma mais perversa. Antes, o petróleo estava caro lá fora e a gasolina era barata aqui dentro. Agora, o petróleo está barato lá fora e a gasolina vai ficar mais cara aqui dentro. Senão, a conta não fecha, a credibilidade não volta, a “nova Petrobrás” anunciada em Nova York pelo ministro Joaquim Levy nunca vai aparecer.
Até lá, a “velha Petrobrás” é o grande “case” dos dois governos Lula. Quem descrever todas as nomeações políticas, o gerenciamento político e a administração política de preços da Petrobrás vai conseguir contar como foram os anos do PT nas estatais brasileiras. Sem esquecer de contar o final da história: nas campanhas, o PT atribuiu aos adversários a intenção de privatizar a Petrobrás, mas é o próprio governo do PT que vai sair vendendo tudo o que puder da petroleira para diminuir o prejuízo. Vão ter de vender muito, porque a Petrobrás é a empresa mais endividada do mundo.
Detalhe constrangedor: foi justamente a ministra de Minas e Energia, depois chefe da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás do pior e mais obscuro período da Petrobrás que acabou sendo eleita para suceder Lula – e ainda foi reeleita. Só para completar, a sua grande marca era a de… gerentona.

VEJA.COM

No mais cruel dos dias para quem tem culpa no cartório, revelações do empreiteiro amigo empurram Lula para o pântano do Petrolão.



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Neste sábado, os leitores de VEJA souberam que o empreiteiro Léo Pinheiro, transferido da presidência da OAS para uma cadeia em Curitiba, fez revelações suficientes para tirar de vez o sono de Lula e estender por prazo indeterminado o sumiço do palanque ambulante. Como ainda não se decidiu por um acordo de delação premiada, o empresário encarcerado pode até, para socorrer o chefe e amigo, desmentir-se em outro depoimento. Mas tal opção é de alto risco: a demonstração de fidelidade lhe custará alguns anos de prisão em regime fechado.
Seja qual for o caminho escolhido, o que Pinheiro já disse (e detalhou em copiosas anotações manuscritas) basta para incorporar ao elenco do Petrolão o protagonista que faltava. No mais cruel dos dias para quem tem culpa no cartório, as relações promíscuas entre o manda-chuva da OAS e o reizinho do Brasil serão escancaradas nas oito páginas da reportagem de capa. Entre tantas histórias muito mal contadas, a dupla esbanja afinação especialmente em três, valorizadas pela participação de coadjuvantes que valorizam qualquer peça político-policial.
Num episódio, o ex-presidente induz Pinheiro a presenteá-lo com a reforma do sítio que, embora Lula o chame de seu, pertence oficialmente a um sócio do filho Lulinha. Noutro, um emissário do pedinte vocacional incumbe o empreiteiro de arranjar serviço e dinheiro para o marido de Rosemary Noronha, a ex-segunda-dama que ameaçava vingar-se do abandono com a abertura de uma assustadora caixa-preta. Mais além, o comandante da OAS cuida de desmatar o atalho que levou Lula a virar dono de um triplex no Guarujá.
A participação do ex-presidente no naufrágio da Petrobras ainda não entrou na mira da Polícia Federal. O inventor do Brasil Maravilha está a um passo do pântano sem que tenha começado a devassa das catacumbas malcheirosas que escondem a farra das refinarias inúteis e a montagem da diretoria infestada de ineptos e corruptos, fora o resto. Pode estar aí a explicação para o estranho vídeo em que celebra as vantagens de um bom preparo físico. Vai precisar disso quando tiver de sair em desabalada carreira.

TRAIÇÃO

VOTO DISTRITAL

'Voto distrital barateia campanhas absurdamente', diz líder do PMDB no Senado

MERVAL PEREIRA

Merval Pereira.

Foi-se o tempo em que o Executivo tinha força para impor suas decisões aos estados e municípios, e, mais que isso, foi-se o tempo em quem os aliados políticos aceitavam de bom grado as “pedaladas” do Ministério da Fazenda, temerosos de seu poder.

A tão falada repactuação entre os entes federativos, para equilibrar melhor as relações entre União, Estados e Municípios, acaba saindo aos poucos, mais devido à necessidade do que a um projeto bem negociado.

A decisão do prefeito de São Paulo, o petista Fernando Haddad, de entrar na Justiça para obrigar o governo a cumprir a lei que muda a correção das dívidas de Estados e municípios, é exemplar nesse sentido.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, já havia tomado o mesmo caminho. O fato de os dois terem avisado antes à própria presidente Dilma que tomariam esse caminho judicial só demonstra o novo estágio na relação do Executivo fragilizado com governadores e prefeitos.

A alegação de que o governo federal não tem condições, neste momento de ajuste fiscal, de renegociar as dívidas, conforme prevê a lei sancionada no ano passado, não tem obtido receptividade “em tempos de murici, quando cada um cuida de si”.

Abrindo um parêntesis, ando nos últimos dias com mania de citar velhos ditados populares, nem sempre de conhecimento amplo. A uma recente coluna dei o título de “Coisas e Loisas”, e houve quem achasse que era um erro de digitação. A expressão popular significa simplesmente “coisas diversas”.

Já o ditado de hoje é muito usado nos meios políticos de Brasília, onde atuam muitos nordestinos. O muricizeiro é resistente à seca, e representa os que sobrevivem em condições de extrema dificuldade. Pois nestes tempos difíceis, não há muita gente disposta a se sacrificar sem justa causa, e um governo frágil quanto o de Dilma não instila receios nem mesmo nos aliados.

Haddad contava com a redução da dívida para ganhar um fôlego na disputa que terá pela frente com a dissidente senadora Marta Suplicy, que está de olho no seu lugar na Prefeitura, que um dia já foi dela. Paes, que não é do PT embora seja um aliado de primeira hora, foi mais ágil e conseguiu uma liminar na Justiça para pagar a dívida de acordo com a legislação já aprovada.

A dívida do Rio com a União caiu de R$ 60 milhões para R$ 28 milhões, e o prefeito pagou-a em juízo. Fez até uma bondade, combinada com o ministro da Fazenda Joaquim Levy: aceitou depositar a mais, com a garantia de que o governo federal se comprometeria a devolver a parte excedente daqui a um ano, quando entraria em vigor a lei sancionada.

Eduardo Paes foi ameno ao dizer que apóia o governo no ajuste fiscal, mas duro ao afirmar que isso não justifica que o governo aja como “agiota”, cobrando juros além do mercado. Até a semana passada o prefeito Fernando Haddad negociava com o ministro Levy uma alternativa para evitar um embate entre o município e o governo.

Mas até agora o governo não se sente em condições de garantir quando poderá aceitar as novas condições de pagamento, e Haddad perdeu a paciência, dizendo-se sem segurança jurídica para permanecer na inação.

Como se sabe, o filho do presidente do Senado, Renan Calheiros, foi eleito governador de Alagoas, e a redução da dívida dos Estados é fundamental para que tenha possibilidade de fazer alguma coisa além de pagar as contas. Este é outro embate entre interesses conflitantes de aliados poderosos que poderá trazer problemas para o governo.

O recente protagonismo do Congresso, por bons ou maus motivos, já se reflete nas pesquisas de opinião, e pela primeira vez em muitos anos o Executivo não tem condições políticas para impor seus projetos. É uma mudança fundamental, que pode ter conseqüências políticas importantes
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BRASIL

Câmara vai votar reforma política no fim de maio

Mudanças mais profundas, porém, ainda não têm consenso em comissão especial do tema. 

DIÁRIO DO PODER - CLAUDIO HUMBERTO


Correntes internas do PT, ainda minoritárias, se uniram para articular a queda de Sibá Machado (AC) da liderança petista na Câmara. É considerado primário, ingênuo, desinformado, de inteligência limitada e sem a dimensão do cargo que ocupa. Além disso, o deputado tem feito declarações que envergonham os liderados, e não conseguiu se articular para evitar as várias derrotas do governo Dilma na Câmara.
A queixa é que Sibá, como o líder do PT, não tem envergadura nem inteligência política para ajudar o PT a sair do impasse institucional.
A defesa que Sibá fez do ex-tesoureiro João Vaccari, após sua prisão, contribuiu para aumentar o desgaste do PT, segundo seus colegas.
As facções Democracia Socialista e Movimento PT querem outro líder, assim como antes da prisão defendiam Vaccari fora da tesouraria.
Sibá Machado pertence à facção petista “Construindo um Novo Brasil”, liderada por Lula, que é seu fiador, assim como protege João Vaccari.
O vice Michel Temer foi escalado por Dilma para “acalmar” o senador Renan Calheiros, humilhado com sua decisão de tirar dele o Ministério do Turismo para entregar a Eduardo Cunha. Após recusar a Conab (companhia de abastecimento do Ministério da Agricultura), Renan recebeu a oferta de cargos de menor expressão, de segundo escalão. Não ficou claro se ele reagiu positivamente ou se mostrou ofendido.
Um dos cargos ofertados a Renan foi a direção da Anvisa, a agência de vigilância sanitária, um dos cargos mais ambicionados pelos políticos.
Dilma não conhece Renan: já confidenciou o medo de que ele dificulte a sabatina de Luiz Fachin, que ela indicou para o STF. Burro, ele não é.
Dilma ofereceu cargos de segundo escalão para o ex-ministro do Turismo Vinicius Lages, mas Renan preferiu nomeá-lo no Senado.
A paranaense Renata Bueno, que é deputada no parlamento italiano, comemorou a extradição do mensaleiro Pizzolato, pela qual trabalhou muito. Ela é filha de Rubens Bueno (PR), líder do PPS na Câmara.
O PCdoB, assim como o PP, prometeu fidelidade ao Planalto para tentar barrar no plenário o projeto do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que limita em vinte o número de ministérios do Executivo.
Lula fez pose trotando em uma esteira só para mostrar que está bem disposto. Aparece cercado por quatro personal trainers. O recado não poderia ser mais claro: quer demonstrar que está pronto para 2018.
Apesar da posição firme dos deputados federais tucanos, o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), prega “cautela” no pedido de impeachment de Dilma – posição compartilhada por Aécio Neves.
Chama atenção, entre muitos jovens convertidos ao islamismo, o que chega a ser assustador, é que em geral parecem saídos da definição que fez Bertolt Brecht do “analfabeto político”.
Não durou muito a ideia de trabalho às quintas-feiras na Câmara. Suas excelências aprovaram resolução transferindo as sessões plenárias desse dia para o período da manhã, o que já esvaziou os trabalhos.
Após propor e aprovar o valor triplicado do fundo partidário, provocando indignação em todo o País, o PMDB anunciou que não usará 25%. Ou seja, apenas vai dobrar sua parte nesse afano colossal ao cidadão.
Aliados acham Dilma “muito cabisbaixa” com a prisão de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT. Ela tem dito que não imaginava a prisão de um dos seus principais arrecadadores de campanha, em 2014.

Dilma demorou uma semana para visitar ao Xanxerê (SC), devastada por um tornado, com medo do ruído surdo das panelas vazias?

25 de abr de 2015

MELHOR IDADE É A PQP!!!

Prazeres da Melhor Idade
Ruy Castro

A voz em Congonhas anunciou :
"Clientes com necessidades especiais, crianças de colo, melhor idade, gestantes e portadores do cartão tal terão preferência etc.".
Num rápido exercício intelectual, concluí que, não tendo necessidades especiais, nem sendo criança de colo, gestante ou portador do dito cartão, só me restava a "melhor idade", algo entre os 60 anos e a proximidade da morte.
Para os que ainda não chegaram a ela, "melhor idade" é quando você pensa duas vezes antes de se abaixar para pegar o lápis que deixou cair e, se ninguém estiver olhando, chuta-o para debaixo da mesa. Ou, tendo atravessado a rua fora da faixa, arrepende-se no meio do caminho porque o sinal abriu e agora terá de correr para salvar a vida. Ou quando o singelo ato de dar o laço no pé esquerdo do sapato equivale, segundo o João Ubaldo Ribeiro, a uma modalidade olímpica.

Privilégios da "melhor idade" são o ressecamento da pele, a osteoporose, as placas de gordura no coração, a pressão lembrando placar de basquete americano, a falência dos neurônios, as baixas de visão e audição, a falta de ar, a queda de cabelo, a tendência à obesidade e as disfunções sexuais. Ou seja, nós, da "melhor idade", estamos com tudo, e os demais podem ir lamber sabão.

Outra característica da "melhor idade" é a disponibilidade de seus membros para tomar as montanhas de Rivotril, Lexotan e Frontal que seus médicos lhes receitam e depois não conseguem retirar.

Outro dia, bem cedo, um jovem casal cruzou comigo no Leblon. Talvez vendo em mim um pterodáctilo da clássica boemia carioca, o rapaz perguntou: "Voltando da farra, Ruy?". Respondi, eufórico: "Que nada!
Estou voltando da farmácia!". E esta, de fato, é uma grande vantagem da "melhor idade": você extrai prazer de qualquer lugar a que ainda consiga ir.

Primeiro, a aposentadoria é pouca, quase uma esmola, e você tem que continuar a trabalhar para melhorar as coisas. Depois vem a condução.. Você fica exposto no ponto do ônibus com o braço levantado esperando que algum motorista de ônibus te veja e por caridade pare o veículo e espere pacientemente você subir antes de arrancar com rapidez como costumam fazer.

No outro dia entrei no ônibus e fui dizendo:
- "Sou deficiente".
O motorista me olhou de cima em baixo e perguntou:
- "Que deficiência você tem?"
- "Sou broxa!"
Ele deu uma gargalhada e eu entrei.

Logo apareceu alguém para me indicar um remédio. Algumas mulheres curiosas ficaram me olhando e rindo...
Eu disse bem baixinho para uma delas:
- "Uma mentirinha que me economizou R$ 3,00, não fica triste não", foi só para viajar de graça.

Bem... fui até a pedra do Arpoador ver o por do sol.
Subi na pedra e pensei em cumprir o ritual que costuma ser feito pelos mais jovens no local. Logicamente velho tem mais dificuldade. Querem saber?
Primeiro, tem sempre alguém que quer te ajudar a subir: "Dá a mão aqui, senhor!!!"
Hum, dá a mão é o cacete, penso, mas o que sai é um risinho meio sem graça.

Sentar na pedra e olhar a paisagem era tudo o que eu queria naquele momento..
É, mas a pedra é dura e velho já perdeu a bunda e quando senta sente os ossos em cima da pedra, o que me faz ter que trocar de posição a toda hora.
Para ver a paisagem não pode deixar de levar os óculos se não, nada vê.

Resolvo ficar de pé para economizar os ossos da bunda e logo passa um idiota e diz:
- "O senhor está muito na beira pode ter uma tontura e cair."
Resmungo entre dentes: ... "só se cair em cima da sua mãe".. mas, dou um risinho e digo que está tudo bem.

Esta titica deste sol esta demorando a descer, então eu é que vou descer, meus pés já estão doendo e nada do por do sol.

Vou pensando - enquanto desço e o sol não - "Volto de metrô é mais rápido..." Já no metrô, me encaminho para a roleta dos idosos, e lá esta um puto de um guarda que fez curso, sei eu em que faculdade, que tem um olho crítico de consegue saber a idade de todo mundo.
Olha sério para mim, segura a roleta e diz:
- "O senhor não tem 65 anos, tem que pagar a passagem."
A esta altura do campeonato eu já me sinto com 90, mas quando ele me reconhece mais moço, me irrompe um fio de alegria e vou todo serelepe comprar o ingresso.

Com os pés doendo fico em pé, já nem lembro do sol, se baixou ou não, dane- se. Só quero chegar em casa e tirar os sapatos...

Lá estou eu mergulhado em meus profundos pensamentos, uma ligeira dor de barriga se aconchega... Durante o trajeto não fui suficientemente rápido para sentar nos lugares que esvaziavam...

Desisti... lá pelo centro da cidade, eu me segurando, dei de olhos com uma menina de uns 25 anos que me encarava... Me senti o máximo.

Me aprumei todo, estufei o peito, fiz força no braço para o bíceps crescer e a pelanca ficar mais rígida, fiquei uns 3 dias mais jovem. 
Quando já contente, pelo menos com o flerte, ela ameaçou falar alguma coisa, meu coração palpitou. É agora!... Joguei um olhar 32 (aquele olhar de Zé Bonitinho) ela pegou na minha mão e disse:
- "O senhor não quer sentar ? Me parece tão cansado"

Penso eu: Melhor idade é a puta que te pariu!
(perdoe os palavrões... mas fazem parte do texto)

Obs: A letra grande é em respeito àqueles que já estão na porra da melhor idade e não sabem onde deixaram os óculos.




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